As expectativas em redor de Quantum of Solace eram grandes (principalmente depois da apresentação do demo). Existiam vários factores que punham multidões com vontade de ter uma cópia do jogo nas mãos: fosse pelo facto de este ser o regresso de James Bond à plataforma do PC (e o consecutivo salto para a nova
geração), seja por ser a estreia de
Daniel Craig (um dos melhores
James Bond que já houve) no universo jogavél de
007, ou pelo simples facto de este jogo retratar a história de um dos melhores filme do
James Bond alguma vez feito:
Casino Royale.
Casino Royale ficou conhecido não só pela estreia de
Daniel Craig como
James Bond, uma decisão criticada por muitos, mas também pelo nível de acção e história apresentados, que compunham um nível nunca antes visto no mundo de
James Bond. Levando isso a peito, a
Treyarch decidiu incorporar no jogo o mesmo nível (ou superior) de acção que o filme apresenta. Mas a verdade é que este mesmo nível desilude no tipo de jogo que é. Apesar de ser baseado no filme de
James Bond, a verdade é que se sente falta dos velhos gadgets de
James Bond e da acção furtiva que títulos anteriores apresentavam. Mas já falará nisso mais à frente.
James Bond 007: Quantum of Solace é um jogo sobre dois filmes:
Casino Royale e
Quantum of Solace (que é a primeira continuação no universo de
James Bond, sendo a continuação de
Casino Royale). Mas talvez para não estragar a história do segundo filme, este jogo centra-se principalmente na história de
Casino Royale. Começamos o jogo onde o primeiro filme acaba: a disparar contra a perna de
Mr. White ("The name is Bond, James Bond", clássico). O seguimento da história é apresentado como sendo a organização que
Bond persegue, estando a ver os acontecimentos que levaram
Bond a encontra-los. O resultado é que avançamos saltando algumas partes do filme, o que pode tornar a história algo confusa para aqueles que ainda não viram o primeiro filme. Mesmo as partes do filme que jogamos, (tirando algumas) estão algo mudadas em relação ao filme, existindo algumas que ficaram pior do que se fossem representadas como estão no filme.
Foi uma decisão compreensível, pois existem sequências do filme que não dariam bom resultado no jogo, mas mesmo assim podiam estar muito melhoradas. Tirando esta pequena falha por parte da equipa de desenvolvimento, temos sequências de acção dignas do filme, em que por exemplo, perseguimos o criador de bombas através de um prédio em construção (mas consequentemente a cena acaba antes de entrarmos na embaixada, o que desilude), ou aquela cena em que perseguimos
Vesper através de Veneza, acabando com a morte dela num prédio em derrocada. Entre as cenas que foram mudadas encontra-se aquela em que perseguimos o segundo criador de bombas pelo aeroporto, que é uma cena completamente mudada, ou quando vamos ao museu de ciência em busca de
Alex Dimitrios (que também se encontra completamente, ou quase, mudada). Uma outra cena que muda: aquela em que Bond é raptado e é torturado por
Le Chifre ("Now everybody will know that you die scratching my balls", uma das melhores quotes do filme), e mudam por completo, de uma forma em que Bond tenta proteger
Vesper de ser raptada por
White.
Apesar de utilizar o motor gráfico de
Call of Duty 4, e da jogabilidade se assemelhar, e muito, a este jogo, a verdade é que Quantum of Solace deixa a desejar no que toca a gráficos. Apesar de apresentar um grafismo bonito de se ver, a verdade é que existem certos factores que deixam a desejar mais afinação. Um deles é a água. Depois de efeitos soberbos em
Call of Duty 4, vemos em
007 níveis em que a água se encontra muito abaixo dos parâmetros actuais. Existem outros problemas para além desse, como por exemplo os inimigos. Apesar de terem uma IA muito boa, a verdade é que de vez em quando vemos "fantasmas" a disparar contra nós, o que até era engraçado, não fosse o facto de enquanto tentamos encontrar uma forma de o matar, ele mata-nos a nós.
Como já referi a IA dos inimigos é espectacular. Apesar de se encontrar algo desnivelada, sendo que em certos pontos "despachamos" 20 inimigos sem nenhum nos acertar, e noutras um único inimigo mata-nos. A verdade é que é uma inteligência digna de jogos como
Call of Duty 4. É uma IA capaz de estratégias de flanqueamento que nos obrigam a manter os olhos em todos os inimigos, não vá algum tentar a sua sorte por trás.
Uma outra coisa que desilude neste jogo (que tem uma durabilidade de 8 ou 9 horas) é a acção. Apesar de ser uma acção viciante, a verdade é que o facto de sermos obrigados a passar todas as missões aos tiros deixa muito a desejar. Apesar de existirem certas secções em que podemos utilizar furtividade, a verdade é que rapidamente somos obrigados a deixar este modo para enfrentarmos os inimigos de uma forma que não nos deixa andar furtivamente. Os antigos jogos de
007 em praticamente todas as missões deixavam a opção de se andar furtivamente ou enfrentar todos os inimigos "munidos até aos dentes". Talvez seja influencia do filme (o que é compreensível, pois o filme tem falta de furtividade, e só desta forma podiam ser fieis à acção que o filme apresenta, e dessa forma deixar os jogadores sentirem a acção do filme), mas a verdade é que se sente falta de um pouco de furtividade. Mas com esta acção podemos apreciar uma das novidades na série: o facto de nos podermos esconder através de uma protecção. Tudo em
Quatum of Solace pode ser utilizado como protecção, e melhorando um pouco mais o sistema
de destruição de
Call of Duty 4, aqui nada é seguro, tudo pode ser destruído, o que nos obriga a correr de protecção em protecção. Para isso podemos mover-nos de uma protecção para outra através de uma cambalhota, ou ao nos aproximarmos de uma protecção podemos ordenar a
Bond que desliza até ela, ficando assim protegido mais rapidamente.
Talvez neste jogo se sinta mais falta da futividade do que seria normal, por causa das sequências de acção em terceira pessoa. Sempre que nos encontramos perto de um adversário, seja pela frente ou por trás, em modo furtivo ou a despejar balas sobre ele, podemos ao clicar numa tecla assistir a uma pequena sequência de acção em que
James Bond faz uso dos seus dotes de luta corpo a corpo para derrotar o adversário. Ao clicar na tecla (por defeito o "Q", para a versão de
PC) aparece a cena em câmara lenta, em que um circulo está colocado sobre o local em que
Bond irá bater no inimigo, e o jogador com o rato tem de clicar nesse circulo. Assim
Bond derrotará o inimigo sem qualquer dificuldade. Estas sequências são melhor aproveitadas em cenas furtivas, o qu
e, como já referi, faz sentir a falta das mesmas. Cenas como estas foram aproveitadas em certos vídeos contra "bosses" em que temos de clicar no circulo que vai aparecendo no ecrã, o que consequentemente aumenta a sensação de adrenalina no jogador, ao faze-lo sentir-se como parte da acção.
Mas nem tudo é mau neste jogo. Como já foi referido, a acção é muito, mas mesmo muito intensa, rivalizando talvez com a acção de
Call of Duty 4. Existem cenas em que temos de perseguir um alvo eliminando os inimigos que vão aparecendo, o que faz com que o jogador se sinta sufocado (no bom sentido) com tanta acção. São sequências em que é correr e matar, pouco mais importa. Aqui faz-se sentir um pouco o estado de espírito de
Bond, em que pouco importa quem mata, por ser movido pela vingança.
Apesar de todos os seus defeitos e virtudes,
James Bond 007: Quantum of Solace é um bom jogo para os fãs do espião inglês, que falha pelo constante suporte na acção, que consequentemente não deixa lugar para outras marcas do universo de
James Bond. Podia estar muito melhor, mas para aqueles que procuram apenas acção desenfreada e tiroteios sem restrições,
Quantum of Solace é uma aposta sólida
0 comentários:
Postar um comentário